Restauração Produtiva | Tabôa realiza primeiro ciclo de reconhecimento de serviços ambientais
VoltarO primeiro ciclo de avaliações para reconhecimento do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) prestados por famílias agricultoras no âmbito do projeto de restauração florestal com inclusão produtiva foi concluído com 100% de aprovação. O resultado destaca o comprometimento das/os participantes na conversão de áreas degradadas para sistemas agroflorestais biodiversos e na recuperação das Áreas de Preservação Permanente (APP). Ao atenderem integralmente aos critérios estabelecidos pela iniciativa, elas/es alcançaram a meta do semestre e, assim, passam a contar com o reconhecimento total da quitação da parcela do crédito.
A metodologia do projeto traz um arranjo inovador, um tripé que inclui a oferta de crédito e acompanhamento técnico rural (Ater) pela Tabôa, para apoiar a implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) biodiversos e produtivos e a Restauração Ecológica das APPs, e o pagamento por Serviços Ambientais (PSA) a agricultoras(es) pela recuperação de áreas degradadas. Assim, 42 participantes de assentamentos de reforma agrária do Sul e Baixo Sul da Bahia cultivam espécies produtivas e nativas, como estratégia de restauração de áreas degradadas. Aqui, o PSA entra como um instrumento de reconhecimento dos benefícios gerados.
A cada semestre, são promovidas avaliações pela equipe da Tabôa, que consideram a implantação do arranjo produtivo e o cronograma executivo conforme o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), elaborado em conjunto com cada agricultor/a, e a realização das recomendações técnicas. Outros critérios gerais para a/o agricultor/a ser elegível ao PSA passam pela diversificação de espécies nativas, controle de processos erosivos e manejo de gramíneas invasoras.
“O alcance do reconhecimento do Pagamento por Serviços Ambientais por todos os agricultores mostra que eles se comprometeram com o projeto e com o combinado, que é implantar os arranjos conforme pactuamos, seguir o cronograma de execução e as recomendações que passamos para eles. Isso reforça um desafio estrutural da restauração, que é o engajamento da comunidade”, comenta Felipe Humberto, gerente de Restauração e Cadeias Produtivas.
A avaliação foi realizada nos meses de outubro e dezembro últimos. “Ao longo do processo, foram feitas as verificações pelos técnicos que acompanham o projeto, com base no que foi projetado inicialmente, bem como as adaptações técnicas que precisavam ser feitas e os combinados entre técnico e agricultor em cada área. Todos os participantes cumpriram com o combinado na implantação do previsto no projeto”, conta Laís Rossatto, coordenadora de Restauração Florestal com Inclusão Produtiva.
As avaliações aconteceram logo após a etapa do plantio de banana e de espécies de ciclo curto em todas as áreas destinadas à implementação de SAFs e o plantio das mudas nas APPs. Nas APPs, foi utilizada a técnica de nucleação, que favorece a restauração por meio da criação de núcleos de vegetação formados por espécies com elevada capacidade ecológica, capazes de melhorar o ambiente e favorecer a chegada e o desenvolvimento de outras espécies na área.
Felipe explica, ainda, como serão as próximas etapas. “Seguimos com a atualização do cronograma executivo e preparamos o agricultor para as próximas avaliações, que acontecem a cada seis meses. Então, encerrou um ciclo de reconhecimento, nós nos reunimos com os agricultores e atualizamos o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas. Verificamos o que ele precisa fazer para o próximo semestre, combinamos as novas ações, processos de manejo, aquisição de insumos necessários, de maneira que ele alcance os resultados esperados”.
O projeto de restauração florestal com inclusão produtiva conta com o apoio da Fundação Arymax, Instituto humanize, Fundo Pranay e Instituto Clima e Sociedade (iCS). Até 2029, a expectativa é recuperar 30 hectares no sul da Bahia, incluindo um total de 4,5ha de Área de Proteção Permanente.
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