Na COP30, Aliança Territorial apresenta atuação e destaca a importância da filantropia de presença e permanência
Voltar“Num contexto de fragmentação e impermanência, de tempos curtos e imediatistas, de relações rasas e distantes – no mundo em geral e na filantropia em particular -, somos permanência e resistência. Nossa diferença é estar.” Com este trecho, a Aliança Territorial, criada no âmbito da Rede Comuá, arremata o seu manifesto por uma filantropia de presença e permanência, apresentado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP3), realizada no mês de novembro, em Belém (PA).
O manifesto faz parte de material produzido pela Aliança Territorial, que traz também princípios e metodologias utilizadas para territorializar a filantropia e apoiar soluções comunitárias, bem como dados sobre capilaridade e alcance coletivo. Juntas, as sete organizações da Aliança Territorial alcançam 400 municípios brasileiros em diversos biomas e ecossistemas. Entre 2022 e 2024, as doações de recursos financeiros realizadas pelas organizações fortaleceram 34 mil pessoas e lideranças, e 1.285 organizações e coletivos. Considerando apoios formativos e técnicos, o número chega a 73 mil pessoas e lideranças apoiadas.
“A Aliança Territorial nasceu de uma inquietação muito profunda, sobre um desejo de colaboração para escalar essas experiências muito interessantes que a gente já estava vivendo e construindo junto nos territórios”, contou Larissa Amorim, da Casa Fluminense, durante o painel O que acontece quando os recursos chegam aos territórios? , organizado pela Aliança Territorial na Casa Sul Global, no último dia 17. Também participaram da conversa a representante do Funbio, Andrea de Melo Martins, Cristiane Azevedo, do ISPN, Natália Cerri, do Instituto Itausa, Naysa Ahya, do Adaptation Fund, e Facundo Ibarlucia, do Fundo Plurales.
Na pauta, experiências de arranjos colaborativos e formas de fazer filantropia conectadas aos territórios e a importância de fortalecer os mecanismos que já existem para fazer chegar, de forma capilarizada, desburocratizada e eficiente, os recursos às comunidades. “[É] essa aliança que se constrói a partir da experiência, a partir da prática, a partir da troca, dos afetos… e que a gente acredita que esse é o caminho da cooperação para se ganhar escala”, explicou Semiramis Biasoli, do Fundo Brasileiro de Educação Ambiental (FunBEA), que mediou a mesa.
A agenda da Aliança Territorial na COP30 teve como foco fomentar o debate sobre o papel e as contribuições da filantropia no fortalecimento do protagonismo comunitário diante da crise climática, evidenciando práticas filantrópicas territorializadas já implementadas pelas organizações que a compõem, baseadas na presença, no cuidado, na confiança, na permanência. Além do painel acima, a Casa Sul Global acolheu também uma segunda participação da Aliança, desta vez como convidada em mesa organizada pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos, no dia 14, intitulada Arranjos Colaborativos e Inovadores para Aterrar o Financiamento Climático nos Territórios, com representação de Georgia Nicolau, do Instituto Procomum.
Assista às gravações dos painéis pelo YouTube da Casa Sul Global.
“A Aliança esteve presente em diversos painéis e foi um momento importante para esse grupo de organizações de filantropia de base territorial que pratica a filantropia de presença e permanência, de se expor dentro do campo da filantropia comunitária e de base, de se colocar como um ator, um jeito de fazer filantropia dentro do contexto das mudanças climáticas, para a justiça socioambiental”, avalia Roberto Vilela, da Tabôa Fortalecimento Comunitário.
Aliança Territorial | Criada em 2023, no âmbito da Rede Comuá, a Aliança Territorial é formada pela Casa Fluminense, Fundo Brasileiro de Educação Ambiental – FunBEA, Instituto Comunitário Baixada Maranhense – ICBM, Instituto Comunitário Grande Florianópolis – ICOM, Instituto Procomum, Redes da Maré e Tabôa Fortalecimento Comunitário, que constituem um corpo político unido pela centralidade do território.
Com foco no enfrentamento das desigualdades e na agenda da justiça socioambiental, a Aliança Territorial atua com:
- Flexibilidade e força: adaptação às necessidades e contextos dos territórios;
- Diversidade: de territórios, de biomas, de corpos, de soluções, de mecanismos de apoio e metodologias;
- Profundidade: presença nos territórios e contato constante com pessoas e coletivos que estão na linha de frente na defesa e proteção dos direitos e biomas.
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