Viveiro Dois Riachões: cultivando saberes e autonomia

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No assentamento Dois Riachões, em Ibirapitanga, município no Baixo Sul da Bahia, existe um viveiro, com capacidade para cultivar 30 mil mudas e incontáveis conquistas. Gerido por mulheres e jovens, o projeto tem o diferencial de fortalecer os saberes e as autonomias desses grupos e sua atuação coletiva.

“A ideia do viveiro surgiu quando se pensava em implantar sistemas agroflorestais, os SAFs, nas áreas de assentamento, com o propósito de produção de mudas para os camponeses”, explica Teresa Santiago, agricultora que integra o grupo de mulheres do Assentamento Dois Riachões. Ela complementa: “A gestão tem sido realizada por meio de mutirões e de práticas agroecológicas, como confecção de biocalda e substrato. Essas atividades têm o objetivo de garantir uma muda saudável, além de gerar renda para esse público.”

A partir do trabalho coletivo, o grupo já produziu 10 mil mudas para atender famílias agricultoras do próprio assentamento e outras cinco mil já foram comercializadas. Mas, a jovem agricultora familiar, Ataine Santos, destaca que o viveiro é mais do que uma maneira de ter uma renda extra. “É uma forma de socializar com outras pessoas, se distrair e também de obter conhecimento”, diz.

Uma das primeiras etapas da implementação do viveiro foi um curso de coleta de sementes, promovido pela Tabôa em parceria com a Rede de Agroecologia Povos da Mata, do qual participaram 20 agricultoras e agricultores de assentamentos do Baixo Sul da Bahia, realizado em 2022. “Fomos para campo, fizemos identificação de matrizes. Aqui, no próprio assentamento, identificamos várias árvores centenárias e aprendemos a fazer coleta, quebra de dormência para plantio”, conta Teresa.

O viveiro também contou com o apoio da Tabôa, por meio de doação de recursos financeiros investidos na construção da estrutura, compra de insumos e instalação do sistema de irrigação.

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