O tempo e a sabedoria que habitam a agroindústria de Dona Del

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A jovem Maria Andrelice sabia muito bem transformar alimentos in natura em doces, farinhas e geleias para que eles durassem mais tempo e para que a família tivesse suas refeições garantidas. O que ela ainda não sabia é que, anos depois, já conhecida como Dona Del, essa seria uma das suas principais fontes de renda, com a criação da agroindústria familiar Dandel Produtos Agroecológicos.

Agricultora agroecológica e empreendedora no Assentamento Dandara dos Palmares, em Camamu, no Baixo Sul da Bahia, Dona Del conquistou a certificação orgânica participativa em 2018, junto à Rede de Agroecologia Povos da Mata. À essa altura, já era uma reconhecida liderança em sua comunidade e, desde então, já assumiu a presidência da associação do assentamento por três vezes – a mais recente, relativa ao triênio 2025-2028.

Para regularizar sua agroindústria, ela recebeu apoio da Tabôa e da Rede Povos, acessando recursos financeiros, técnicos e equipamentos. “Ter um apoio para fortalecer as mulheres na agricultura familiar é de suma importância. As mulheres aparecem como quem só ajuda, e os maridos que trabalham. E se elas têm apoio, essa renda dá sustentabilidade para ela ter autonomia”, destaca.

Dona Del também acessou crédito da Tabôa, via CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) Sustentável na Mata Atlântica, para aumentar sua produção e, com isso, passou a receber acompanhamento técnico rural de base agroecológica, para realizar melhorias de forma planejada e orientada. Foi assim que ela ampliou e adequou seu espaço, além de organizar melhor tabelas nutricionais, rótulos e a gestão de entradas e saídas dos seus produtos.

Hoje, a Dandel oferece mais de 30 produtos, que são comercializados em diversos pontos e sob encomenda. Certeira, Dona Del avança na comercialização sem deixar de lado a atuação associativa.

“Através de toda luta pela conquista da posse da terra, consegui o espaço em que posso fazer exatamente o que quero: estar produzindo com a terra e buscando mais companheiras, porque elas também têm esse potencial e podem estar fazendo isso”, afirma.

E é a realização desses potenciais que Dona Del deseja para as mulheres do campo: “O que eu desejo para as mulheres do Brasil, principalmente as mulheres rurais, é ter autonomia. A gente luta e espera que, um dia, todas tenham autonomia e direitos garantidos.”

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