Circo da Lua: do picadeiro à autonomia
Voltar“Eu digo que é uma nave fora do tempo, porque a gente entra aqui e parece que tudo que está lá fora fica lá fora, e a gente constrói um mundo diferente”. É assim que a fundadora Ivana Místico descreve a Associação Cultural Circo da Lua, iniciativa socioeducativa que democratiza o acesso às artes circenses e promove autonomia, autoestima e consciência cidadã em Serra Grande (Uruçuca, Bahia).
Essa “nave” – fora do tempo, mas muito comprometida com o espaço onde está ancorada – acolhe 300 crianças e adolescentes que se revezam em aulas de circo, teatro, música, percussão, acrobacia aérea, desenho, pintura, balé, perna de pau e malabares, dança e capoeira.
Idealizada em 2010, o Circo da Lua tem se consolidado como atividade no contraturno escolar, especialmente para crianças e adolescentes cujas famílias não podem arcar com os custos de cursos complementares. “Desde o começo, o Circo-Escola surgiu com essa ideia de trabalhar contra a desigualdade, no sentido de dar acesso a crianças e jovens que, por vias comuns, não teriam como fazer as aulas de arte que o circo oferece”, explica o educador Vinícius Teiole.
E o Circo da Lua foi além, promovendo a inclusão de ex-alunas(os) na equipe, como um caminho de iniciação profissional. Para fortalecer essa política, o Circo contou com apoio da Tabôa, acessando recursos financeiros e técnicos via Fundo de Fortalecimento de Comunidades. Com isso, cinco jovens egressos foram contratados como professoras(es) assistentes em cursos de acrobacia aérea, perna de pau e circo mirim ministradas para mais de 100 crianças e adolescentes.
“A participação desses jovens faz parte do nosso planejamento de longo prazo, buscando a continuidade da iniciativa. Com isso, fechamos o ciclo, do início como aluno até o ingresso na equipe”, celebra Ivana Nistico, presidenta da Associação Cultural Circo da Lua e coordenadora geral do projeto.
Respeitável público, vamos aplaudir!