Com foco no fortalecimento de comunidades para justiça socioambiental e climática, Tabôa marcou presença na COP30
VoltarA 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada no mês de novembro, em Belém (PA), foi marcada pela forte participação da sociedade civil e movimentos populares. E, pela primeira vez, a Tabôa Fortalecimento Comunitário esteve presente ao evento, acompanhando e participando de debates sobre o protagonismo de comunidades na construção de soluções locais para o enfrentamento dos efeitos das mudanças do clima em seus territórios de (con)vivência.
Foram dias intensos de diálogos, compartilhamento de experiências e articulações em agendas estratégicas para a adaptação e a resiliência climática. A Tabôa esteve em painéis na Zona Verde – uma das áreas oficiais da COP30, aberta ao público – e em espaços paralelos organizados pela sociedade civil, como a Casa Sul Global, e a Marcha Global Pelo Clima. “No ano em que completamos uma década de atuação, foi muito simbólico estarmos na COP e participarmos de debates, reuniões e articulações em agendas temáticas com as quais atuamos, como filantropia para a justiça climática, fortalecimento da agroecologia, adaptação liderada por comunidades e povos tradicionais, dentre outros”, avalia Roberto Vilela, diretor executivo da Tabôa.

Foi o que aconteceu, por exemplo, no painel Financiando soluções locais: adaptação baseada em ecossistemas com justiça socioambiental, organizado pelo Fundo Casa Socioambiental, na Zona Verde, no dia 14 de novembro, com mediação de Jonathas Azevedo, diretor executivo da Rede Comuá. Com o objetivo de destacar ações que demonstram como o financiamento direto a iniciativas locais potencializa Soluções Baseadas na Natureza (SbN) e amplia o impacto da adaptação e da justiça socioambiental, o painel reuniu experiências inspiradoras do Brasil e da Bolívia. “Compartilhamos aprendizados e reflexões surgidas a partir do apoio e conconstrução de Soluções Baseadas na Natureza, em especial com a agricultura familiar de base agroecológica”, explica Roberto.
Nos territórios em que atua, a Tabôa tem investido, dentre outras estratégias, no fortalecimento de cadeias da bioeconomia e de práticas inspiradas na natureza lideradas por comunidades, contribuindo para potencializar impactos socioambientais positivos, apoiando capacidades de adaptação e construção de resiliência climática. Dentre as iniciativas fomentadas, estão a meliponicultura, a agroecologia e a implantação de sistemas agroflorestais produtivos para recuperação de áreas degradadas.
“A importância de fortalecer comunidades na agenda da restauração é um dos pontos que destaco a partir dos debates que participei na COP30”, conta Felipe Humberto da Silva, gerente de restauração florestal e cadeias produtivas, da Tabôa. “Também acompanhei discussões importantes que dialogam com nossas ações e projetos, sobre transição agrícola para sistemas sustentáveis regenerativos, implementação de rastreamento de cadeias produtivas, como o cacau, pecuária sustentável, além de atualizações sobre políticas e mecanismos ambientais”, complementa.
A Tabôa ainda esteve em um segundo painel na Zona Verde, sobre preservação da biodiversidade e o papel do empreendedorismo, no dia 18, organizado pela iniciativa South of the Future. Nele, foi apresentada a experiência institucional no fortalecimento econômico da agricultura familiar e agroecológica, por meio da facilitação do acesso a crédito e recursos técnicos, para impulsionar empreendimentos socioeconômicos, como agroindústrias familiares, viveiros de mudas, dentre outros.
Casa Sul Global | Uma das agendas prioritárias da Tabôa na COP30 foi acompanhar os debates da Casa Sul Global, plataforma criada para influenciar os fluxos de financiamento e as dinâmicas de poder em favor da justiça socioambiental nos territórios do Sul Global, que realizou sua primeira edição presencial na COP 30.

“A filantropia comunitária e de base territorial, comprometida com a justiça socioambiental, é uma das estratégias de atuação da Tabôa para fortalecer o protagonismo comunitário na construção de territórios mais sustentáveis, justos e resilientes”, explica Simone Amorim, gerente de comunicação e conhecimento, da Tabôa. “Participar, então, da Casa foi um momento muito rico para trocar experiências e aprendizados do Sul e para o Sul Global, identificar sinergias e fortalecer estratégias de incidência coletiva, junto com outras organizações que compõem a Aliança Territorial, da Rede Comuá”, conta. Saiba mais aqui.
A Casa Sul Global é uma iniciativa liderada pela Alianza Socioambiental Fondos del Sur e pela Rede Comuá, e em 2025 conta com a parceria do movimento #ShiftThePower e da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia Brasileira, reunindo dezenas de organizações da filantropia independente da América Latina, África e Sudeste Asiático.
Fotos: Acervo Tabôa | Simone Amorim
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